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DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Publicado em: 20-11-2015

Homenagem a Zumbi, último e maior líder do Quilombo dos Palmares, a maior comunidade, durante o período colonial, de escravos negros que fugiram de prisões, fazendas e senzalas brasileiras, o 20 de novembro foi escolhido pelo Movimento Negro do Brasil como o Dia Nacional da Consciência Negra, haja vista a morte de Zumbi na referida data, em 1695.

Reconhecimento dos esforços do pernambucano na resistência contra a opressão portuguesa, a celebração nos remete às conquistas dos negros perante os brancos, somente decretadas após 193 anos da morte do líder palmarino, quando, em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel assina a Lei Áurea e "abole" a escravidão na pátria verde e amarela.

Mas se a abolição da escravatura se deu em 13 de maio, por qual motivo marcar o 20 de novembro? Bem, como a titulação bem destaca, o dia está registrado como de discernimento. Enquanto 13 seria a abolição por brancos, 20 se faz a reafirmação anual da autoliberdade dos afrodescendentes desde a cultura até a religião.

Ponderar sobre consciência negra é refletir sobre a introdução dos negros na sociedade brasileira e conservar os elementos da cultura africana presentes no dia a dia da coletividade moderna.

E por pensar em sociedade moderna, estaremos mesmo vivendo o contemporâneo, ou usamos tão somente o calendário para fugir da responsabilidade de uma constante maquiagem social à qual somos submetidos diariamente e nos mantemos escravos?

Como falar em consciência negra quando o racismo ainda é manchete de telejornais? Uma nação que comemora um dia nacional de conscientização precisa mesmo de cotas raciais? Uma raça capaz de integrar à civilização de um país seus costumes e crenças necessita que sejam estabelecidas reservas? Pode ser, em pleno século XXI, alvo de discriminação?

Infelizmente, refletir acerca da consciência negra, hoje, ainda não é distinguir a importância da etnia no processo de formação social do país, é, sim, a necessidade de reafirmar na memória o grito de justiça, de dissimular a hipocrisia que, ainda de inconscientemente, está enraizada na memória de um povo.

Consciência negra, na verdade é resistência negra.

Prova dessa afirmação é o "anonimato local" de um saudoso negro itabaianense: Quintino de Lacerda. Inominado onde nasceu, porém ilustre como ex-escravo, herói abolicionista, onde precisou se refugiar.

Quantos munícipes sabem quem foi esse "ilustre desconhecido", cidadão serrano? Que ele foi vendido para São Paulo e lá foi servo de Antonio de Lacerda Franco, de quem, após ganhar liberdade, adquiriu confiança e herdou o sobrenome, chegando a se tornar popular ao ponto de representar o povo e entrar para a história como primeiro vereador negro do Brasil?

Quantos estudantes, "jovens ceboleiros" conhecem a história desse conterrâneo que teve patente de coronel outorgada por Marechal Deodoro da Fonseca e, como homenagem, monumentos erguidos em Santos (SP)?

Hoje as escolas, principalmente, representam o dia idolatrando o nacional, imputando como real informação nas "mentes novas" o ato de bravura de quem a literatura fala. Mas se é para comemoramos a "consciência", o que justifica manter essa omissão? Falta de conhecimento ou resistência?

Lamentavelmente, exaltamos a consciência e permanecemos inconscientes. Como diz um antigo provérbio, "santo de casa não faz milagre".


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